quarta-feira, 6 de abril de 2011

Paradoxo: Sol mais brilhante faz com que o oceano fique mais frio.


Segundo um novo estudo, aumentar o brilho do Sol pode, paradoxalmente, levar a temperaturas mais frias na Terra.
O impacto do Sol sobre o clima da Terra é assunto para debates há anos. Por exemplo, o chamado Mínimo de Maunder, quando poucas manchas solares extraordinárias foram vistas entre 1645 e 1715, parcialmente coincidiu com a Pequena Idade do Gelo da Europa e da América do Norte, o que levou cientistas a questionarem se o sol era a causa dessa mudança climática, bem como se ele é responsável pela atual mudança que o mundo está passando.
Para saber mais sobre os efeitos que as alterações do brilho solar podem ter sobre o clima, pesquisadores analisaram sedimentos de aproximadamente 15 metros de comprimento, a 530 metros abaixo da superfície do mar em Baixa Califórnia do Sul, no México.
Os cientistas se concentraram em um plâncton da espécie Globigerina bulloides. Ao analisar os níveis de magnésio nas conchas destes organismos, que aumentam conforme as temperaturas sobem, os pesquisadores puderam reconstruir as temperaturas de superfície do Pacífico tropical desde o Holoceno, época de aproximadamente 12 mil anos atrás, até os dias atuais.
Para deduzir os níveis de radiação solar durante esse tempo, os pesquisadores observaram os níveis de carbono-14 em anéis de árvore e berílio-10 no gelo polar. Raios cósmicos do sistema solar teriam gerado esses isótopos (variedades de um elemento que tem um número diferente de nêutrons).
Quando a radiação solar é elevada, reforça o campo magnético interplanetário, que protege a Terra contra os raios de alta energia, de modo que menos desses isótopos estariam presentes em anéis de árvores e no gelo que se formou numa época em que a radiação solar foi elevada.
Ao comparar a radiação solar e os registros de temperatura, os pesquisadores descobriram que, conforme a atividade solar aumentou no início e meio do Holoceno, a temperatura dos oceanos na região diminuiu em um padrão parecido com os eventos de La Niña, quando o Pacífico equatorial fica com águas mais frias do que o normal. Quando a atividade solar diminuiu, as temperaturas do oceano subiram como ocorre durante o El Niño, evento marcado por águas quentes no Pacífico, ao largo da costa das Américas.
As condições frias como na La Niña podem ter gerado a tendência de um Sol mais brilhante para aquecer a superfície da Terra, enquanto o clima mais quente do estilo El Niño pode ter causado um resfriamento a partir de um sol menos brilhante.
Existem modelos de clima que podem explicar o que pode ter ocorrido. Segundo cientistas, a radiação solar é aparentemente melhor em aquecer a atmosfera sobre o Pacífico Equatorial Oeste do que Leste; há uma maior convergência dos ventos sobre o Equador a oeste, levando a um maior volume de ar para absorver o calor do sol.
Este ar quente aumenta os ventos alísios que sopram do leste para o oeste. Estes, por sua vez, “empurram” as águas superficiais, fazendo com que as águas frias do fundo do oceano venham para cima. O resfriamento resultante do oceano aumenta os ventos ainda mais, agravando esse efeito de resfriamento.
As novas descobertas podem levantar questões sobre as causas das mudanças climáticas atuais. Segundo os pesquisadores, as mudanças recentes no brilho do sol são extremamente pequenas, um décimo de 1%. Além disso, a quantidade de mudanças na radiação pouco importa em comparação com os gases de efeito estufa, que causam muito mais mudanças climáticas.
Outra questão é se os gases de efeito estufa poderiam levar a mais La Niñas, assim como um sol brilhante. Os pesquisadores não acreditam nisso, porque os gases do efeito estufa afetam os padrões de circulação de maneira bem diferente.
O El Niño e a La Niña são parte de um padrão climático conhecido como Oscilação Sul-El Niño, ou OSEN. O El Niño é extremamente importante para a variabilidade climática de ano para ano; por exemplo, é por isso que o sul da Califórnia pode ter inundações e deslizamentos de terra em um ano, e secas e incêndios florestais no próximo.
Enquanto modelos de computador diferentes geralmente concordam em muitos aspectos das mudanças climáticas, há menos acordo sobre o futuro do OSEN. Os pesquisadores esperam, ao estudar o passado, aprender mais sobre o futuro.

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